quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Há vilões e heróis entre nós IV

por CA Ribeiro Neto - Twitter 


Vanessa sempre criou barreiras mentais por um único motivo: quebrá-las. Facilmente criava rankings, com frequência engatilhava mentalmente opiniões para usá-las verbalmente quando fosse conveniente, gerava expectativas e rapidamente as descartava na chegada de uma nova oportunidade. Certa vez, colocou em sua mente que tinha uma queda por loiros, baseado no seu histórico amoroso - um aparato científico falho, porque, fora flertes ocasionais, seus dois primeiros namorados eram caucasianos de cabelo castanho-claro. Até que ela conhece Gustavo na aula de capoeira. Negro de pele e cabelo, ele adotou para si uma missão que ela sempre adorou receber: fazê-la rir.

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Hélio não acredita em inferno astral e acha que tudo é coincidência. Certo ou não, as coisas não vinham dando muito certo pra ele. Dormia 4 horas por dia, e nas outras 20 horas que ficava acordado era quase todo dentro de uma gráfica, trabalhando muito. Na hora de voltar para casa, dessa vez deu sorte de se sentar num banco do ônibus. Apoiou as mãos no banco da frente e encostou a cabeça para ver se cochilava. Sem ter mais noção de hora, foi acordado com um puxãozinho em seu cabelo, ao levantar a vista, ainda embaçada, viu um bebê no colo de sua mãe, no banco da frente. A bebezinha sorriu pra ele e começou a brincar com os dedos de Hélio. É, Hélio, de vez em quando, a vida pode te descansar, mesmo você estando acordado.

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Zé Sérgio sonhou com seus tempos de criança, quando montara sua miniatura de jangada com os restos de madeira que sobrava das jangadas que seu pai, Zé Lito, construía. Este era procurado por jangadeiros de praias vizinhas, considerado mestre na arte da marcenaria, da pescaria e do reisado. Sr. Sérgio agora é um nostálgico desenvolvedor de sites e não tem mais os equipamentos do pai de carpintaria, nunca aprendeu a pescar, pois seu pai o queria doutor, mas o reisado, ah, o reisado. Passou o dia relembrando as letras das músicas, imaginando o melhor jeito de tocá-las num velho violão, convocou seus irmãos e alguns primos; ainda estava em tempo. Com uma lista de amigos para visitar, lá foi a trupe de Reis, com violão, pandeiro e reco-reco, a cantar: "Meu Senhor, Dono da Casa/ Abra a porta e acenda a luz/ Venha dar a santa esmola/ Em nome de Jesus".

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