sábado, 23 de maio de 2015

Uma pausa para a metalinguagem

por Fábio Rabelo Rodrigues
E-mail: fabiorr87@hotmail.com
Coluna: Linguagem para Amar e Ruminar


Prezo mais que tudo, no ofício de escrever, a liberdade de fazê-lo ao próprio gosto, ou de não fazê-lo, como um gesto autônomo da vida. É, portanto, por esse motivo e por outros mais, que hoje a publicação se contenta com um pequeno poema resgatado da gaveta, um texto antigo, do tempo das minhas leituras de Blanchot.


Acabamento

Um poema não cresce sobre estruturas,
não advém do nome preciso que a palavra invoca,
e que no entanto significa morte.
Não é a pequenina luz, não ilumina, não brilha,
e o que nele mobiliza não faz mover nem faz pensar.
Sua voz não corresponde a parte alguma,
nem é a minha voz e nem quer sê-la.
Um poema não representa ninguém, e sequer deve representar.
No vazio que habita só lhe cabe esgotar o mar,
beber o mar, se houver mar à vista.



Ps.: Para não dizer que não adianto nada, mês que vem, fechando o primeiro ciclo de perfis (afro-luso-brasileiros), trarei ao Vem-Vértebras a leitura sobre a escrita de uma poetisa brasileira que muito me encanta.

3 comentários:

Hermes Veras disse...

Continue a mostrar os seus versos para nós!

B., Antonione disse...

Hermes, tu és um leitor muito generoso! Agradecido, meu querido!

Fábio.

Leco Silva disse...

A gente se encanta e até pede por mais pois é um ofício bonito o de ler as aspas que os outros decidiram colocar na vida.

Esse acabamento dentro das tuas aspas foi bem bonito de se ler,
Citação merecida.