terça-feira, 27 de outubro de 2015

Os Sete Demônios

por Marcos P. S. Caetano
Coluna: Praia do Futuro


Resolvi que te escreveria por meio de versos
Pois, por eles me derramo com mais vontade.
Neles tenho mais amor, ódio, vida e saudade.
Neles percorro galáxias, num deles o universo.
Devo, de antemão, pedir-te desculpas, perdão.
Por este meu tempo de angústia, pela demora,
Se não escrevi deveria de estar mudo o meu coração
Mas ele há de falar, nem que seja para morrer agora.
Falará nem que se fale da própria morte
E pela tristeza não sei se em vão se foram os dias
Na palavra há esperança e há corte
Na epiderme da alma, lentamente. Sangraria?
Sangraria se a palavra adentrasse as entranhas?
Ah! Se o poeta dissesse o que quer... Mas não!
Para o silêncio, o necessário, toda palavra é estranha.
E o grito não tem fôrma, nem forma, não é pão,
Que os dedos peguem com desejo, e a boca devore.
E que nos mate a fome de descanso, que nos molhe,
Nos molhe das águas de entendimento, de vazão,
Das águas da nossa sede que nos transborda.
Abrem-se as janelas, mas se fecha a porta.

Queria, por meio desses, dizer-te alegrias.
Tapar o vazio que me disseste
Dizer sorrisos. Imagino como ririas.
Contudo, em mim há demônios, sete:
Dor, tristeza, melancolia,
Cansaço, desassossego, solidão,
Há sorriso pulsando na desalegria.
São sete demônios que não se vão.
Mas há cicatriz sem nome nesse corpo
Tatuagem negra de sentimento
Se o amor é linha reta do firmamento
O meu é feito onda do mar, é torto.
Pois para beijar meu amor, meu coração,
Há de se beijar sete demônios com paixão.

Um comentário:

Sandra Alencar disse...

Alimentando nosso desespero com versos. Amei!