quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Questões relacionadas a paixão adolescente e sua relação com a teoria da paixão adulta

Existem certos momentos na vida que parece que você entrou numa máquina no tempo após ver uma situação. Ou talvez seja um desses déja vu. Sempre quis usar déja vu em um texto - mais uma vitória para o meu checklist.

Como um bom adulto educado, saí para uma cafeteria junto à minha namorada, que, como quase toda mulher adulta, gosta muito de doce. Perto do balcão estava, por assim dizer, um casal. No máximo seus 16 anos vestidos com uma farda de um famoso colégio da cidade.

Ele olhava para ela, enquanto esta olhava para a torta de maçã. Na verdade, penso eu que era para torta, porque também olhava-a. Como toda adolescente ela parecia mais velha, tinha seu corpo mais desenvolvido. Deveria ser uma das garotas da classe com um bom círculo de amizades. Por sua vez, ele continuava o seu olhar fixado nela, junto com aqueles óculos de acetato que deveria pesar mais que a bolsa da garota. De onde as pessoas usam aquilo com conforto?

Existe um cinismo em afirmar que com várias relações e experiências adquiridas se torna mais fácil lidar com situações relacionadas a paixão. De todo modo, é fácil perceber quando um homem está apaixonado, pior ainda um adolescente com a linguagem corporal insegura e toda aquela ânsia de querer falar algo e no máximo sair um "E aí, você anotou o que o Ronivaldo escreveu hoje?". Não difere também de você que acordou com sua namorada ao lado e escondeu que não passou a noite com o travesseiro babado.

Já dava para perceber que dali não surgiria muita coisa, mas o pior estava por vir, quando algum adolescente da turma chegou. Um pouco maior que o nosso pequeno Don Juan e abraçou a garota. Tão fácil era perceber sua paixão, como tão fácil é perceber sua decepção.

Seria uma dessas situações onde chegar no garoto e dar um conselho que quando ele crescer aquilo vai piorar não me pareceu uma má ideia. Entretanto seria um momento muito estranho para ambas partes, algo para ir no caderno do Desconforto do Cotidiano. Certamente uma péssima ideia.

Ele irá aprender sozinho, como vai.

3 comentários:

Pedro Piluca disse...

Como vai!

Marcos Paulo Souza Caetano disse...

Depois ainda vai pensar "Puxa vida, como é que eu pude ser assim?". Ou então, vai repetir isso até...

Hermes Veras disse...

Bicho gostoso