terça-feira, 3 de março de 2015

Dois poemas: Pontos de Vista e Seis Cacos

Ser poeta, penso, é tentar escrever em versos o que diz a alma. Não sou mestre nessa arte. Sou, se muito, um amador. Mas isso não quer dizer que vou calar os berros da alma que me habita, que me é. Em minha defesa devo dizer que, se não poetizo, arrisco morrer de câncer. Haja vista a rebelião feita por meu corpo, sempre que tento silenciar. Seguem, pois, amigo leitor, alguns versos nascidos da torpe tradução que arrisco fazer daquilo que me digo, que me sinto.

Pontos de vista

Hipermetropia.
Só se vê bem, de longe.
Miopia.
Só se conhece, bem de perto.
Cegueira.
Só se sente, bem, de dentro.

Utopia?
Longe, torna-se possível.
Distopia?
Perto, está em todo tempo.
Entropia e entalpia!
Há caos e ordem.
De perto. De longe.
De dentro.


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Seis cacos

Tenho uma alma de vidro.
Olho-me e nada vejo:
Ausência dentro.
Somente o outro lado.

Nada de casca aparente:
Somente algo sólido e frágil,
Caso alguém tente tocar,
É possível que me sintam?

Tenho uma alma de vidro.
Trincada, ranhuras estriam.
A luz revela fissuras evidentes:
Serei apenas cicatrizes?

Estilhaço para todo lado:
Corto quem me pisa,
Pinto-me com as marcas de sua dor.

Sou apenas pedaços?

Tenho uma alma de vidro
De onde nasceram diamantes.
Nada corta, nada atinge.
A luz refrata.
Seria tudo diferente
Olhando de outros ângulos?

Tenho alma de cristal
Refeita dos cacos de vidro.



Pedro Gurgel Moraes
Um Aluno da Escola da Vida.
Amante da Mulher Mais Bela.
Navegador dos mares dos sonhos.

2 comentários:

CA Ribeiro Neto disse...

Gosto mais da segunda que da primeira, mas as duas estão muito boas!

E o primeiro estrofe do primeiro poema, pra mim, poderia ter ficado bem melhor, repetindo o mesmo verbo! hehehehe

Hermes Veras disse...

O importante é expressar. Catalizar energias que nos constituem em literatura. Tá ótimo, tá certo, tá bacana. É isso ou explodir!