quinta-feira, 5 de março de 2015

VALORES estÉTICOS

por Paulo Henrique Passos


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Coluna: Pensinto, logo existo




Mostra-me que roupa tu usas e eu te direi quem tu podes ser.


A aparência é e sempre foi definidora (e definida a partir) de comportamentos, crenças, posições sociais, preferências musicais, etc. Querendo ou não, ela é importante e é marca forte que influencia nas relações pessoais. Em alguns casos, fazemos de tudo pra mantermos as aparências – o que, eu sei, é diferente de manter a aparência (no singular) legal, apreciável, mas de alguma forma um significado se aproxima do outro.
Aliás, uma aparência apreciável e legal pra uma pessoa, que vê ou que é vista, pode muito bem não ser pra outra. Muitas vezes (e muitas vezes mesmo), tiramos conclusões só a partir da aparência, da roupa que uma pessoa usa, do modo como ela se veste. Isso não acontece à toa, é claro. Afinal, a aparência é realmente definidora de muita coisa. A roupa diz muito de quem a veste. Muitas são as tribos musicais, por exemplo, que são facilmente identificadas apenas pelas roupas que seus integrantes costumam usar.
A frase acima é fruto justamente de uma reflexão sobre a força e a importância que a aparência e a roupa possuem. E mais uma vez, ela, a frase, parte de um caso particular (eu) e busca casos universais.
Pelo menos no uso de roupas, e pelo menos conscientemente, nunca fiz parte de uma tribo, de um grupo, de modo que, se alguém batesse o olho em mim, diria sem medo de errar: “ah, tu é...”. Muito pelo contrário. Muitas foram as vezes que, pelo meu modo de vestir (que com certeza é classificável e se encaixa em alguma coisa), pensaram que eu era uma coisa que eu nunca fui ou se espantaram por eu ser o que sou ou gostar do que gosto e me vestir assim. Para alguns, simplesmente não bate, não combina. Daí o título, que acompanha a frase e nesse caso (senão em todos) é muito importante.
Falando mais especificamente, muitos se espantam por eu gostar de rock ‘n roll (em praticamente todas as suas vertentes) e, pasmem, me vestir assim! Como pode eu me vestir assim, tão... descaracterizado?! Entre outros exemplos.
O fato é que, admitindo ou não, talvez eu pertença sim a um grupo (dos professores? dos estudantes de Letras? dos leitores? dos seres humanos?), ainda que não tão facilmente identificável pelo modo como eu me visto.



Um comentário:

Hermes Veras disse...

Frequentemente nos pegamos fazendo associações absurdas. Lembro quando estava no terceiro semestre, acho, de Ciências Sociais. E embora hoje me considere de "esquerda", em sentido lato mesmo, como canhoto e de pensamento torto, um aluno, meio imbecil, meio otário, olhou para mim, que estava de barba e camisa vermelha, e disse: Esses teus amigos comunistas do Centro Acadêmico, são teus amigos, tu é comunista, né, tu é comunista né? Tá com barba e de vermelho". Barba, vermelho, Ciências Sociais, e detalhe, eu não andava com "eles", apesar de não ter também nenhum problema se andasse.