quarta-feira, 17 de junho de 2015

Linhas Tortas



por: Hermes de Sousa Veras
Cearense em devir-Amazônia. Dizem que ficou sombreado na mata e voltou falando sobre profecias de fim de mundo.


Às vezes tudo que preciso é de um livro antigo, místico e ancestral. A companhia desses mortos irradiam tanta sabedoria e soberba... Meu corpo inteiro cabe nas linhas escritas. Como um pajé amazônico, recebo conhecimentos do mundo d’outrora, essas entidades estranhíssimas que habitam ao leitor atento, atualizando-se das mais impressionantes maneiras.

É preciso ter cautela, pois transportar para a nossa consciência coisas extintas (e que continuam a vibrar em algum canto...) sem a devida compensação simétrica e reconhecimento da limitação humana, e dos agregados de demônios que nos atravessam e habitam toda a experiência vivida, é fatal. Facilmente podemos rotulá-los de injúrias de nosso tempo, de coisas tão ruins que nos perseguem cotidianamente.

Não raramente, o horizonte de possibilidade é o livro antigo. Contudo, o cuidado químico de manipulação de conceitos que exalam certo bafio é qualidade extraordinária.

Tortuosidades continuam acontecendo em nome de um álibi invisível: a leitura fantasma e a leitura álcool. Não existindo, ou apenas habitando o mundo em estado volátil. Rapidamente se dispersa e desaparece.

2 comentários:

Paulo Henrique Passos de Castro disse...

Os antigos são osso mesmo! Já disseram tudo e a gente fica só repetindo... rsrs

B., Antonione disse...

E dizem que não se pode escutar os falecidos... Meu querido, o texto contempla bem essa experiência espiritual.

Fábio R.