domingo, 15 de maio de 2016

Sem nome

por: Sandra Alencar
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Coluna: Frêmito



Se você tivesse visto o que eu vi,
E lido o que eu li,
E pensado o que eu pensei e sentido o que senti,
Sua certeza não seria tão certa,
Sua alma seria elástica (como a dos Beatles),
Seu coração não seria tão frio e o calor fugiria pelos poros,
E você poderia tocar o vivo com os dedos,
Você conseguiria sentir o viscoso da vida,
E sentiria o sabor cremoso do amor e do sexo.
E a aguinha fria que sai de um olhar apaixonado,
E molha seu corpo
Te dá um banho de humanidade e de mistério,
E te dá um prazer sem igual! Faz a brisa soprar fogo!

Se você tivesse largado o livro de regras,
e se tivesse duvidado das suas certezas,
Talvez tivesse visto essa vida ( Que vive escondida no escuro!).
Amado o improvável,
Esquecido de odiar,
Se deixado levar,
Pelo diferente e errado,
Pelo doce sabor do pecado.
Talvez você tivesse sua alma mais leve,
Partiria com outros gostos na boca...

Em nome da liberdade e em nome de nada,
Só uma vez sem compromissos e sem papel,
Feche os olhos...
Para talvez começar a enxergar
O que não é espelho
Mas que pode ser bonito
O que não é você
E nem sou eu,
Mas talvez sejamos nós.

2 comentários:

Hermes Veras disse...

Gosto muito de palavras úmidas e sensuais. A forma como você as colocou ficou bem agradável. Mas gostei mais do verso "O que não é espelho". Um anti-narciso faz bem.

Sandra Alencar disse...

Conhecer o que não é espelho, amar o improvável...um jeito mais interessante de viver. Eu penso.