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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

De tanto...

por: Sandra Alencar
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Coluna: Frêmito


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Morro de tanto passado, o ar que respiro me sufoca,
Minhas mãos sangram de tanto bater na porta,
De tanto me explicar, não entendo nada.

Busco esses olhos que já foram fortes,
Que carregaram firmes o peso da esperança,
E percorrem o curto trajeto até a morte.

A fome dessa vida corroeu minha garganta,
A sede desse deserto apodreceu-me o corpo,
Matei com as próprias mãos essa criança,
E carrego a lembrança do meu rosto morto.

E de tanto sangrar, perdi o tempo,
E de tanto querer, não vivi nada,
E de tanto lutar, morri de medo,
E de tanto correr, fiquei parada.

E agora procurando algo de resto,
Deixo apenas o coração aberto,

E os olhos a fitar o céu, paralisada.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Vem aqui...

por: Sandra Alencar
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Coluna: Frêmito


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Vem aqui,
Deixa eu te devorar
Só dessa vez ... e de uma vez.

Se entregue todo,
Feche os olhos,
Deixa eu te trazer dentro de mim.

E de repente, quem sabe você queira ficar?

Pode ter medo de mim
Eu também tenho!


Mas, quem sabe seja disso que precisamos morrer?

Tanta gente morre todo o dia de coisas tão menos nobres que o amor.

Vem aqui...não se preocupe em me amar, só me consuma.
Seja essa doença que me mata por dentro e me tira o sono.

Talvez, seja disso que precisamos... nos consumirmos,
Como a vida que todos os dias morre e um dia some.

Deixa-me viver meus últimos momentos como um vinho gelado e fluido que desperta a tua carne para a possibilidade do infinito.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Ela (2)

por: Sandra Alencar
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Coluna: Frêmito


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E enquanto tudo desmorona ao seu redor,
Ela mantém seu coração firme
para não se desesperar.


E enquanto as pessoas que ela ama caem no abismo do nunca mais,
Ela mantém seus olhos vidrados na esperança

de um amanhã melhor.


E enquanto as forças antagônicas do Universo apertam forte sua garganta,
Ela fecha os olhos e respira fundo,

Pois sua força tem origem tem origem no infinito,
E está sempre alerta no propósito sublime de viver.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Ela...

por: Sandra Alencar
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Coluna: Frêmito


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Hoje, em meio a uma manhã comum, ela tem seus olhos vidrados na parede cinza.
E tudo que pode sentir é o cansaço nauseante da sua existência.E o aborrecimento cortante da infelicidade do marido.
E o gosto amargo do café em sua boca.


De longe, ela ainda pode se ver,
Movendo-se na parede com infiltração,

Sorrindo com olhos cheios de juventude,

E morta na cínica piada da vida.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A voz azul do mar

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito


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A voz azul do mar,
Disse Neruda.
A voz azul da vida,
Penso eu.
A vida é como o mar,
Linda e profunda,
E nela minha alma se perdeu.


Do fundo do oceano dessa existência,
Sem religião e sem ciência,
Minh'alma desesperada está em paz.


Enquanto minha pele faz amor com sua brisa,
A voz azul do mar vem e me avisa,
Do medo que só a felicidade traz.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Sobre a tragédia em Nice

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito


Olhei os corpos pelo chão e meu coração parou,
Minha alma ficou dando voltas naquela imagem terrível,
E meu sangue congelou
Falhamos... Pensei.

Enquanto a vida escorria no sangue espesso que lavava a rua,
Todos falharam...

Em nome do inatingível... A morte dos inocentes,
Em nome da estupidez... Simplesmente a morte,
Em nome de uma doença, de uma obsessão,
A morte
E sua magnitude implacável que emudece o mundo.

Hoje sou a mãe que grita com o filho atropelado no meio da rua,
Sou essa mãe que não entende o que aconteceu,
E não sabe o que fazer,
Ao sentir o desespero em suas entranhas.
Hoje, ao ver aqueles corpos no chão,
Esqueci um pouco da minha tragédia particular,
E da miséria cortante do meu povo,
Para estender minha indignação um pouco mais longe
E ser uma mãe francesa.

Aujourd'hui, la vie en noir...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Minha alma tem chorado

por: Sandra Alencar
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Coluna: Frêmito

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São notícias terríveis,
E minha alma tem chorado,
Por tanta estupidez e falta de humanidade,
Por tanta fúria e ódio,
Que estão à espreita na esquina,
Minha alma tem chorado como criança abandonada,
Como o filho que sabe que vai morrer,
Como criança fugindo de bala,
Como mulher estuprada,
Como mãe que perdeu o filho...


Só precisamos refazer os planos e priorizar as únicas coisas que valem a pena no mundo...
O amor e a vida
A paixão e o sexo
A amizade e o comprometimento
A paz de estar e ser feliz!

domingo, 15 de maio de 2016

Sem nome

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito



Se você tivesse visto o que eu vi,
E lido o que eu li,
E pensado o que eu pensei e sentido o que senti,
Sua certeza não seria tão certa,
Sua alma seria elástica (como a dos Beatles),
Seu coração não seria tão frio e o calor fugiria pelos poros,
E você poderia tocar o vivo com os dedos,
Você conseguiria sentir o viscoso da vida,
E sentiria o sabor cremoso do amor e do sexo.
E a aguinha fria que sai de um olhar apaixonado,
E molha seu corpo
Te dá um banho de humanidade e de mistério,
E te dá um prazer sem igual! Faz a brisa soprar fogo!

Se você tivesse largado o livro de regras,
e se tivesse duvidado das suas certezas,
Talvez tivesse visto essa vida ( Que vive escondida no escuro!).
Amado o improvável,
Esquecido de odiar,
Se deixado levar,
Pelo diferente e errado,
Pelo doce sabor do pecado.
Talvez você tivesse sua alma mais leve,
Partiria com outros gostos na boca...

Em nome da liberdade e em nome de nada,
Só uma vez sem compromissos e sem papel,
Feche os olhos...
Para talvez começar a enxergar
O que não é espelho
Mas que pode ser bonito
O que não é você
E nem sou eu,
Mas talvez sejamos nós.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

De tudo que eu sei...

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito


De tudo que eu sei... sei que te amo,
E sem esse amor não tenho ar.
E sem esse amor meu sangue não corre,
Minha vida se perde em si.

Do pouco que sei... sei que te odeio,
Pois depender envolve ódio,
Por você não dizer exatamente o que quero ouvir,
E me quebrar as pernas com silêncio.

De tudo que sei... sei que sinto,
E esse sentir aperta minha garganta,
E esse querer apunhala meu peito,
O oceano não basta para minha sede.

De tudo que sei... não sei de nada,
Só sinto... o ofício do poeta é sentir.
E eu... sinceramente... sinto muito.

terça-feira, 15 de março de 2016

Angústia

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito


Quando a vida pesa em meus ombros,
E minhas pernas envergam cansadas,
Fico com vergonha de mim,
E cada célula do meu corpo,
Enoja-se do meu fracasso evidente.

E penso que escreverão na minha lápide,
que nasci perfeita e forte,
Acho que prefiro ter amor em vida,
Que ser perfeita após a morte.

Mesmo porque a vida e a morte se misturam,
E sou levada como o mar engole uma criança,
E minha respiração para, estou no fundo do mar,
presa na angústia fria dos dias.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Inconsciente

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito


As coisas que eu penso no silêncio,
Lá de dentro do oceano de mim,
São águas que me afogam e me beijam
E me mantém presa em um gelo sem fim.

Os amores que cultivo no silêncio
Têm o fogo que a carne silencia,
Tem a coragem que a vida não se atreve
Tem o ímpeto, o calor e a fantasia.

Nesse silêncio guardo bem os meus mortos,
Nesse silêncio vivo a náusea do dia,
Nessa noite cultuo desejos e escondo corpos,
No meu oceano particular de histeria.

No fundo escuro do gelo do meu silêncio oceânico,
Sou uma pessoa que não posso suportar,
Sou um sonho de demônio e de anjo,
Um rosto para o qual,
Não suportaria olhar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Nossos versos

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito



Minha vida se derrama em palavras,
Nesse inferno de prazer e desprazer.
Minhas horas se consomem dia a dia,
Afogadas no que tenho a dizer.


Vou escrevendo tristemente minha estrada,
Em versos de amor e solidão,
Na imperfeição de rimas pobres e cansadas,
Na verdade que me salta o coração.


Se não vivo, eles vivem e vencem o tempo,
Livres pelo vento, maiores do que eu,
Se encontra-los, trate-os com carinho,
Não à toa, eles cruzaram o seu caminho,
Agora não tem jeito, eles são seus.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Constatação

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito



Não sou eu a ter a coisa mais relevante a dizer.
Não, não sou eu.
Não sou eu a ser o exemplo politicamente correto de tudo quanto é coisa no mundo.
Não, não sou eu.
E quem sou eu então?
Sou louca e desvairada, buscando o mais perfeito de tudo,
Profundamente frustrada e cheia de vergonha alheia.

Eu sou essa pessoa, diferente do que fui e do que serei,
Sou esse ser que vive morrendo,
E morre vivendo,
Continuamente.

Sou esse ser cheio de vazio,
Quente de paixão,
E deprimido de tanta coisa reprimida,
Sou essa loucura que se busca,
Perdida no desespero de se encontrar.

Sou isso que não foi terminado,
E não se termina nunca.
Só quando parar de soprar a vida,
Só quando a vida cair na morte,
Sou essa pessoa que escreve...
Querendo tocar qualquer alma
Feliz em sofrer amando.

domingo, 15 de novembro de 2015

Minha versão de você

por: Sandra Alencar
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Coluna: Frêmito


O seu gosto levo na boca e na memória,
Como o sol de algum lugar distante,
E o vento das coisas que não consegui fazer,
Lembranças da latência do meu ser amante...

Seu toque me aperta o seio e o coração,
Ao fechar os olhos, chego a te sentir,
Chego, no silêncio, a te ouvir,
Pesa agora, na minha carne, a tua mão.

Você é uma metáfora da vida,
Você é uma sombra no deserto,
Uma dor latente no meu corpo aberto,
O último olhar da despedida.

Não me importa saber se ainda me ama,
Minha vida se encerra no teu quarto,
Com cuidado te criei na minha cama, 
Minha versão de você... Você de fato.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Posse de mim

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito


E se eu tomar posse de mim
Da minha vida,
O que será que vão falar de mim?

E se tiver coragem de amar uma vez mais,
E rir alto na esquina e dar para o meu corpo o prazer que merecemos,
O que será que vão falar de mim?

Vão dizer que estou louca,
Que não tenho como, vão querer me calar,
Vão anunciar meu fim.

Eu farei o que me resta,
Mandar para o inferno esses sorrisos falsos que desbotam meu dia,
Cuspir na cara da hipocrisia e das pessoas que se dizem perfeitas,
Tomar meu vinho de prazer desmedido, aliviar meu peito com um palavrão
 e ser feliz para contrariar todo mundo.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

No meu quarto escuro...

por: Sandra Alencar
Facebook
Coluna: Frêmito



No escuro do meu quarto cansado,
Escrevo sobre o meu vazio,
Um verso indeciso e medroso.

No escuro do meu quarto de paredes envelhecidas,
Fecho os olhos e revejo meus passos mortos pela casa.
Releio minhas rugas no espelho,
Procuro um sopro do que eu era.

Nesse quarto escuro e empoeirado, fecho os olhos,
E uma luz se acende dentro de mim.

Vejo minha alma marcada,
Imperfeitamente sobrevivente,
De tudo que ousei viver.

sábado, 15 de agosto de 2015

O Medo

por: Sandra Alencar


Coluna: Frêmito

No escuro dessa madrugada, tive medo do que não conheço. Medo do que não existe, medo do próprio medo.  

No brilho intenso dessa manhã sem vida, tive medo de mim, dos meus desejos. Dessa tensão do meu corpo no teu, medo de te amar demais e de te amar de menos.

Encarando esses corpos sem face que me perseguiram ávidos por todo o dia, tive medo de não entender o enredo antes do fim da história. De me perder de mim e de você.

O medo do vazio que temos e preenchemos com certezas mórbidas e equivocadas. Medo profundo e cortante de ter coragem de confessar meu medo.

O medo paralisa a alma e enegrece o espírito. Mas nos lembra da matéria do que somos feitos. Lembra-nos da morte eminente e da urgente necessidade de ser feliz.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Um poema para te acalmar (Ou poema para a menina)

por: Sandra Alencar

Coluna: Frêmito

Dorme menina, a luz está ligada,
E a vida está apenas começando.
O sono não chega,
As dúvidas são muitas.
O caminho é para andar,
Sentir o calor e colher as flores,
Ver a paisagem e deixar os sonhos no ar.

Minha menina, a vida começa.
E é tão difícil entender a morte, a dor e os problemas da vida.
Mas durma tranquilo, pois tenho um segredo,
Que sei que vai te acalmar.
Você vai beijar,
Vai nadar no oceano e
Vai encontrar alguém pra amar.
Vai chorar, vai sorrir;
Vai chegar, vai partir;
E conhecer outros lugares.
Vai ganhar e perder,
Desejar e sofrer,
Pessoas, sonhos e canções.

E é disso que tecemos a vida,
Abraços e despedidas,
Comidas, passeios e paixões.
Feche os olhos e mire os sonhos,
E eles te conduzirão até o nascer de um novo sol.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Prisão Invisível

por: Sandra Alencar
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Coluna: Frêmito


Estamos todos presos
Em terríveis prisões invisíveis,
Cuja chave está em nosso poder.
Mas não nos atrevemos a abrir o cadeado,
Pois a amplidão é perigosa
E a liberdade amedronta.

Essas celas, sim,
São conhecidas amigas
Que justificam nossos fracassos
E nos mantém seguros
De nós mesmos.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Poema do meu fracasso

por: Sandra Alencar
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Coluna: Frêmito
 
 
Tanta coisa pra dizer e a folha em branco.
Tanta coisa pra fazer e o dia acaba.
Tanta história pra contar e a voz termina.
Tanta vida para ser e não sou nada.
Dias vão e vêm, estou sumindo.
Só mais um pouquinho e já serei memória.
Queremos ter a certeza do caminho,
Mas a incerteza é a própria história...

...E em pensar que a vida poderia ser tão simples
Como um beijo na tua boca...